1. O estágio atual da aviação elétrica avançada
A aviação elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) atravessa a transição mais crítica desde o início de sua corrida tecnológica: a fase de certificação. Após anos de desenvolvimento, prototipagem e testes operacionais, diversos fabricantes estão posicionados para receber a certificação de tipo — e posteriormente a certificação operacional — a partir de 2025. No entanto, o caminho até essa aprovação envolve rigorosos processos regulatórios conduzidos por agências como a FAA (Federal Aviation Administration) e a EASA (European Union Aviation Safety Agency). Esses requisitos incluem validação estrutural, redundância de sistemas, comportamento aerodinâmico, segurança energética, desempenho das baterias e confiabilidade dos sistemas de controle de voo.
Neste cenário, alguns projetos se destacam pela maturidade tecnológica e pelo avanço documental junto às autoridades aeronáuticas. Mesmo que o ritmo de certificação varie conforme ajustes regulatórios, alguns fabricantes já se encontram em fases avançadas, recebendo aprovações preliminares, completando campanhas de ensaios ou conduzindo voos de teste tripulados.
2. O que significa “estar próximo da certificação”?
Antes de analisar cada aeronave, é importante compreender o que de fato determina o nível de proximidade da certificação. Normalmente, avaliamos:
Certificação de Tipo: validação de engenharia, aerodinâmica, motores elétricos, baterias e controles.
Conformidade aos requisitos Part 23/Part 21 (FAA) ou SC-VTOL (EASA).
Envelope de voo totalmente testado: incluindo falhas simuladas, operação em condições adversas e redundância dos sistemas.
Integração operacional: suporte de manutenção, treinamento, infraestrutura e sistemas de comando e controle.
Certificação de Produção: capacidade industrial para fabricar as aeronaves em escala.
Certificação Operacional: autorização para operadores comerciais utilizarem o eVTOL em rotas reais.
Desse modo, um eVTOL “próximo da certificação” é aquele que reúne maturidade documental, avanço de testes e alinhamento regulatório suficiente para iniciar a fase final do processo.
3. Joby Aviation: o líder mais consolidado
Por que está mais perto da certificação?
A Joby Aviation é considerada a empresa mais avançada. O modelo Joby S4, um eVTOL totalmente elétrico com cinco assentos e propulsão tilt-rotor, encontra-se na fase final da certificação FAA. A empresa já cumpriu mais de 90% dos “Means of Compliance” (MoC), etapa essencial para aprovação do projeto.
Principais indicadores de avanço
Voos tripulados desde 2023.
Parceria estratégica com a NASA para ensaios de integração de tráfego aéreo avançado.
Início da produção certificada, com a Fábrica Piloto localizada em Marina, Califórnia.
Aprovação FAA para testes estruturais avançados.
Características técnicas
Alcance previsto: ~240 km
Velocidade de cruzeiro: ~320 km/h
Propulsão totalmente elétrica com motores inclináveis
4. Archer Aviation Midnight: rápido progresso sob supervisão FAA
A Archer representa a principal concorrente da Joby nos EUA. Seu modelo Midnight, um eVTOL híbrido tilt-rotor com 12 motores elétricos independentes, passou nos últimos dois anos por uma aceleração significativa de testes e homologações.
Indícios claros de maturidade
Certificação de produção aprovada pela FAA em 2024.
Primeiros voos tripulados realizados em 2024.
Validação dos sistemas de energia e redundância concluída.
Dados de desempenho
Autonomia: 160 km
Velocidade: 240 km/h
Design otimizado para rotas urbanas de 15–40 km
5. Lilium Jet: avanço sólido na EASA com abordagem 100% europeia
A empresa alemã Lilium adota uma abordagem diferente baseada em múltiplos motores elétricos canalizados, o que proporciona alta eficiência aerodinâmica em cruzeiro. O Lilium Jet não é um tilt-rotor tradicional; ele usa “ducted fans” distribuídos, sendo considerado um dos eVTOLs mais avançados do continente europeu.
Etapa regulatória
A Lilium já recebeu validações avançadas de conformidade com os requisitos EASA SC-VTOL.
O protótipo atual está conduzindo testes em alta velocidade e expansão progressiva do envelope de voo.
Pontos de destaque
Arquitetura distribuída com mais de 30 ducted fans.
Alto grau de redundância elétrica.
Parcerias estratégicas com Lufthansa, Azul e outras operadoras.
Desempenho estimado
Alcance: até 250 km
Velocidade: 280–300 km/h
6. Eve Air Mobility (Embraer): maturidade industrial e solidez regulatória
A Eve, subsidiária da Embraer, é um dos nomes mais fortes da América Latina. Embora seu protótipo de segunda geração esteja prestes a iniciar testes de voo, a Eve se destaca pelo profundo alinhamento com a ANAC e pela estrutura industrial robusta da Embraer.
Diferenciais competitivos
Know-how técnico consolidado da Embraer em certificação global.
Integração com sistemas de simulação avançada.
Plano de produção e manutenção baseado nas cadeias industriais da Embraer.
Previsão de certificação
A Eve mira a certificação ANAC/FAA/EASA conjunta a partir de 2026, mas seu avanço documental é considerado mais maduro do que muitos concorrentes.
Características técnicas preliminares
Autonomia prevista: 100 km
Foco em rotas urbanas curtas
Arquitetura com rotores fixos para maior simplicidade operacional
7. Vertical Aerospace VX4: certificação suspensa, mas parcialmente avançada
A Vertical Aerospace, do Reino Unido, avançou rapidamente até 2023, mas sofreu retrocessos após um incidente durante testes. Apesar disso, ainda possui entregas relevantes em termos de certificação.
Situação atual
Testes de voo retomados.
Certificação em conjunto com a UK CAA e EASA ainda em andamento.
Estrutura de desenvolvimento robusta, mas ritmo mais lento que concorrentes americanos.
Potencial técnico
Alcance de 160 km
Velocidade de 320 km/h
Quatro rotores principais e arquitetura simplificada
8. Outros projetos relevantes, porém mais distantes da certificação
Ehang EH216-S
Já aprovado para uso limitado na China.
Certificação ocidental ainda enfrenta desafios.
Arquitetura de controle autônoma (sem piloto).
Volocopter VoloCity
Em fase avançada na EASA.
Foco em operação urbana para distâncias curtas.
Velocidade e alcance reduzidos limitam a certificação internacional.
Beta Technologies ALIA-250
Projeto híbrido entre avião elétrico e eVTOL de decolagem convencional.
Campanha de testes extensa, porém ainda focada em certificação de aeronave elétrica convencional.
9. Comparativo técnico entre os modelos mais avançados
| Fabricante | Modelo | Agência líder | Tipo de motor | Estágio da certificação | Previsão |
|---|---|---|---|---|---|
| Joby | S4 | FAA | Tilt-rotor | Finalização MoC | 2025 |
| Archer | Midnight | FAA | Tilt-rotor | Testes tripulados | 2025–2026 |
| Lilium | Jet | EASA | Ducted fan | Testes avançados | 2026 |
| Eve | eVTOL | ANAC/FAA | Rotores fixos | Documentação avançada | 2026 |
| Vertical | VX4 | CAA/EASA | Multirrotor | Testes limitados | >2026 |
10. Quem lidera a corrida global?
Com base nos indicadores técnicos e nos marcos regulatórios alcançados, o Joby S4 e o Archer Midnight são, atualmente, os eVTOLs mais próximos da certificação de tipo. O Lilium Jet e o projeto da Eve seguem de perto, mas com cronogramas alinhados para 2026. No contexto global, a consolidação dos eVTOLs dependerá não apenas do desenvolvimento tecnológico, mas também da criação de infraestrutura — vertiports, redes elétricas robustas, integração com ATC e novos modelos de operação aérea urbana.
As próximas certificações marcarão um divisor de águas, aproximando a mobilidade aérea avançada do funcionamento comercial e inaugurando uma nova era de transporte vertical e elétrico.






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